Capital Humano

Comportamento e avanços tecnológicos estão em sintonia?

Se por um lado a tecnologia ajuda as organizações a criar novos modelos de negócios, se aproximar dos clientes e a melhorar a produtividade e inovação. Por outro, ela gera maior complexidade, aumenta o esforço para renovar competências constantemente e intensifica a interdependência nas relações de negócios.

O fato é que, às vezes, os efeitos disruptivos da era digital acabam sendo mais velozes do que o tempo de as pessoas se adaptarem, gerando novos desafios para as organizações.

Um desses desafios, decorrente da evolução do ambiente de trabalho impulsionada por novas tecnologias, é a necessidade de colaborar e trabalhar em times virtuais geograficamente dispersos. Tal prática virou indispensável, pois compartilhar virtualmente em grupo tem o potencial de acelerar a aprendizagem e o processo de tomada de decisão e de ter à disposição informações mais precisas em tempo hábil, fatores essenciais para sair à frente.

Para Helen Souness, diretora-geral do site de e-commerce Etsy (Austrália/Ásia), o jeito mais eficaz de lidar com a crescente disruptura do mercado é formar equipes virtuais, que aproveitem a inteligência coletiva de seus integrantes em todo o mundo. “Com autonomia, esse tipo de equipe determina mais rapidamente como resolver problemas e inovar para diferentes mercados”, diz.

Segundo a pesquisa Changing roles: How technology is transforming business functions, da Economist Intelligence Unit, a tendência é que equipes virtuais formadas em torno de projetos e questões específicas serão ainda mais fluidas e globais, podendo incluir experts do mundo inteiro, que nem sempre serão funcionários.

Mas ainda que a colaboração venha se tornando cada vez mais importante para operar neste novo cenário, Mayur Gupta, VP Global de Desenvolvimento & Marketing do Spotfy, diz que há uma dificuldade em mudar o comportamento. “Embora prestemos atenção à colaboração, ainda operamos de maneiras tradicionais e verticais isoladas, porque isso é mais fácil”, diz.

Para ele, a maneira como as pessoas passaram a colaborar e a compor equipes sob a influência da tecnologia ainda não foi plenamente assimilada por nosso “modo automático”. “Ainda estamos muito orientados e obcecados pela tecnologia em vez de termos foco no cliente”. Em sua opinião, esse movimento ainda exige certo esforço consciente, portanto, é necessário mais prática.

Talvez consciente disso, Aric Dromi, futurista e filósofo digital, tem como objetivo identificar as interações entre inovação e comportamento social. Ele se propõe a ajudar as pessoas a reconhecer velhos paradigmas, a abandoná-los, a deixar zonas de conforto e a reconsiderar maneiras de pensar frente às transformações ativadas pelo universo digital. Em suas palestras, ele leva as pessoas a ponderar por um instante sobre a interação entre tecnologia e comportamento: “No futuro, seu corpo poderá permanecer fisicamente em um local, enquanto você vai estar em uma conferência em outro lugar em Realidade Virtual, reunindo-se com pessoas que estarão, cada uma, em uma região diferente ao redor do mundo, por exemplo”.

Dromi defende que a conjuntura atual deve ser tratada como uma equação dinâmica composta de padrões de comportamento, atitudes e inovação. “É preciso dar atenção à relação simbiótica entre a tecnologia e seus usuários. Devemos abordar as oportunidades de hoje com a mente mais aberta, pois talvez elas já sejam o núcleo de um futuro que vai seguir direções absolutamente novas”, prevê.

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