Estrutura

Procura-se perfil digital

Como a transformação digital afeta a evolução de qualquer organização, já é consenso que Conselhos devem desempenhar um papel mais ativo na discussão e supervisão da estratégia digital, mas para isso o próprio Conselho deve apresentar certa massa crítica de capacidade e experiência digital.

De fato, infundir talento digitalmente bem informado na sala de reunião torna-se a cada dia mais imprescindível para que a discussão seja significativa. Afinal, conforme relatório recém-lançado da McKinsey (Digital Reinvention): “As discussões estratégicas de hoje devem corresponder à velocidade da disruptura e responder em tempo real aos sinais do mercado sobre as transformações digitais.”

Mas mesmo que altos executivos reconheçam essa urgência, a inclusão de talentos digitais na composição do Conselho não acontece no ritmo necessário. Pelo contrário, a média de idade dos conselheiros das principais empresas aumentou — de 60,2 em 2001 para 63,1 em 2016 —, elevando a preocupação quanto a conselheiros mais velhos não se conectarem com questões relacionadas aos novos mercados emergentes da era digital.

Para tentar resolver rapidamente esse gap de capacidades digitais nos mais altos níveis, a solução mais comum de muitas empresas hoje é agregar “diretores digitais” — executivos com experiência como gestores ou conselheiros em empresas onde o digital contribui em grande parte com a receita, onde os canais digitais são facilitadores essenciais do negócio ou onde a empresa é considerada transformadora digital líder em seu setor.

Claro que nos setores em que a tecnologia digital é essencial, o Conselho digital já é a norma. Como previsto, empresas de tecnologia como Amazon, Dell, Hewlett-Packard, Google, IBM, Apple, Cisco, Intel, Microsoft e Oracle já operam com Conselhos dominados por executivos com experiência digital. De todo modo, incluir diretores digitais no Conselho exige reflexão e planejamento, de acordo com a cultura, o tipo de experiência digital necessária e o core business de cada organização.

De acordo com o artigo “Digital Directors: A Powerful Boardroom Addition”, da Russel Reynolds Associates, cada “diretor digital” traz sua própria perspectiva sobre o processo de transformação digital. Mas há três tipos principais a se considerar:

O primeiro tipo de líder digital vem de empresas “disruptoras” (social, móvel, computação na nuvem, análise de dados e outras empresas) que estão realmente direcionando as mudanças em um nível fundamental.

O segundo tipo de diretor digital vem de empresas “transformadoras” fora do domínio da tecnologia que são exemplos de transformação digital bem-sucedida em seu setor (as indústrias de varejo, transporte e bens de consumo industrializados são boas referências).

O terceiro tipo de executivo vem de empresas disruptoras ou transformadoras, mas aborda o digital menos de uma perspectiva estratégica do que tecnológica, normalmente como diretor técnico ou diretor de tecnologia.

Acima de tudo, o advento da era digital reforça a importância de assegurar uma diversidade real no nível do Conselho, refletindo mercados, locais e dados demográficos dos clientes onde o negócio opera. Segundo a especialista em Conselhos Mina Gouran, “independentemente de novas tecnologias ou tendências que remodelem o comportamento de stakeholders, Conselhos devem estar preparados para se recalibrar constantemente, a fim de liderar neste mundo em constante mudança”.

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