Governança

Por que cresce a tendência pelo equilíbrio digital

device-freeaApesar de o mundo estar cada vez mais digital, a necessidade do real, do pessoal e do desconectado vem crescendo. Essa é uma das atuais tendências apontadas por especialistas, que afirmam que quanto mais a sociedade se digitalizar, mais equilíbrio digital será necessário.

É evidente que o digital traz vantagens potenciais, mas o transbordamento de novas tecnologias (smartphones, IoT, inteligência artificial, realidade aumentada/virtual, vestíveis, robótica, automação), que nos permite estar sempre conectados, também traz riscos.

À medida que a tecnologia evolui, o ambiente de mídias torna-se mais amplo e mais denso, inundando a todos com um bombardeio sistemático de imagens, fluxos de vídeo e áudio. Novos recursos, incorporados a esta cultura de alta velocidade, alavancam inovações técnicas com requisitos de interação cada vez mais complexos e contínuos para o usuário. Isso pode exacerbar comportamentos prejudiciais ao bem-estar, como a pressão de ter que estar sempre “ligado” ou o medo de ficar “por fora” (em inglês, FoMO = fear of missing out).

De acordo com Brian Luke Seaward, renomado expert e Ph.D. em Gestão do Estresse, nunca antes fomos expostos a tanto estímulo sensorial ao alcance dos dedos. “Todos querem estar em dia com as notícias, pessoas, amigos, temas de interesse e o-que-quer-que-seja pelas mídias sociais. Todo esse estímulo sensorial em uma sociedade “voyerística” e acessível 24/7 pode sobrecarregar a mente em caso de uso abusivo. Não é que a tecnologia seja ruim, é o modo como a usam que se torna problemático”, ressalta.

Nesse contexto, pode ser difícil encontrar momentos tranquilos ou períodos de quietude, que permitam processar e contemplar toda a informação recebida durante um dia, por exemplo. Além disso, absorver grandes quantidades de informação dinâmica num piscar de olhos acaba resultando em uma assimilação mais abrangente e superficial.

Por isso pausas digitais conscientes são necessárias para aliviar o estresse e estimular a criatividade. A ideia é ficar “livre” da tecnologia por horas ou em algumas ocasiões, buscando outras atividades que envolvam contato social ou reservando tempo para a reflexão. Mas atenção: o termo que indica essa pausa digital — Digital Detox — propõe reduzir o bombardeio sensorial e repactuar a forma de se conectar, mas não parar de utilizar o digital.

Esse movimento de busca pelo equilíbrio digital tem mais a ver com o estímulo a experimentar a interação humana real do que com evitar a tecnologia em si. Não é à toa que enquanto a maioria das empresas tradicionais vem se empenhando na própria transformação digital, novas empresas de tecnologia também têm aderido a ações tradicionais, como abrir lojas físicas, publicar revistas impressas ou propor eventos/momentos “device-free” (sem dispositivos tecnológicos).

Pesquisas mostram que nosso cérebro reage de forma muito diferente se a conversa acontecer em uma reunião presencial ou via videochat — mesmo quando a tecnologia é de última geração. Segundo Meghan M. Biro, as pessoas mudam quando estão desconectadas. Ficam mais relaxadas e presentes, voltam a manter contato visual e relacionamentos mais próximos. “Elas se tornam mais empáticas, mais gentis, mais focadas e definitivamente dormem melhor. Efeitos que se estendem na performance do trabalho”, diz.

Sair a cada tanto da rede — se desconectar, tirar pausas da tecnologia — pode ser essencial para a produtividade e bem-estar em geral, mas o importante é não perder de vista que entender melhor a relação entre as pessoas e a tecnologia é o fator-chave para abrir novas oportunidades.

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