Governança

Princípios para o crescimento

iStock_000050068880_SmallAEm um mundo cada vez mais horizontal em suas relações, a maioria das antigas regras já não se aplica hoje. Estruturas de gestão com autoridade centralizada estão se tornando fora de moda e um estilo mais participativo e empoderado se impõe como novo modelo. Isso tem levado as dinâmicas organizacionais a se reformular para crescer num ambiente VUCA.

Para minimizar o impacto negativo de práticas tradicionais com poder centralizador, é bom recordar alguns princípios da boa governança listados pela OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development), que podem ajudar a promover crescimento nos tempos atuais:

Delegação de autoridade
Todo negócio que cresce chega a um ponto em que o principal acionista não é mais capaz de cumprir simultaneamente todos os papéis (acionista, CEO e gestor). Nesse ponto, torna-se necessário delegar autoridade para um Conselho, com direitos e deveres claros. Evidente que estatutos e resoluções devem definir e formalizar os parâmetros da autoridade que será delegada, que, por sua vez, deverá ser revista periodicamente, para garantir que continue adequada à estrutura, ao tamanho, escopo e complexidade da empresa. Mas vale lembrar que sistemas de controle no futuro serão mais embasados na avaliação de pares e menos na supervisão de chefes.

Freios, contrapesos e transparência
A boa governança pressupõe que nenhum indivíduo deve ter poder ilimitado em tomadas de decisão. O ideal é que existam “freios e contrapesos” que subordinem as ações dos indivíduos ao escrutínio e que façam as decisões mais importantes serem tomadas coletivamente. Muitas vezes esse é um desafio para as empresas, normalmente instituídas com base no controle autocrático de um único indivíduo. Como ninguém está livre de cometer erros (mesmo as pessoas mais capazes podem deixar de analisar objetivamente), estabelecer verificações, balanços e prestação de contas das áreas para gerar mais visibilidade e minimizar riscos na tomada de decisão é imprescindível. Afinal, transparência corporativa é um jeito eficaz de estimular comportamento apropriado. Como dizia Louis D. Brandeis, ministro da Suprema Corte dos EUA: “A luz do sol é o melhor desinfetante”. Entre os freios e contrapesos mais comuns estão: a divisão de função entre CEO e chairman do Conselho, a obrigatoriedade de ter um auditor externo e a participação de conselheiros independentes no Conselho.

Responsabilização
Quanto maior a responsabilidade, maior o comprometimento. Dentro de uma empresa, a prestação de contas segue essa regra. A cada nível hierárquico é concedido responsabilidades e poderes definidos, que, por sua vez, devem ser associados à responsabilização pela performance e pelo exercício desse poder. Para que a prestação de contas exerça efeito sobre o comportamento, é importante que cada colaborador, gestor e conselheiro entenda as expectativas e o alcance das suas responsabilidades. Por isso, à medida que a empresa se expande em tamanho e complexidade, os padrões de conduta dos negócios (incluindo princípios éticos) devem ficar ainda mais explícitos. No nível do Conselho, os membros precisam ter claro suas responsabilidades, com base nos princípios de governança corporativa da empresa, que devem ser regularmente revistos e atualizados. E, acima de tudo, todos precisam de informações confiáveis e compreensíveis para avaliar e supervisionar a performance com comprometimento, fazendo com que tomem as melhores decisões e se sintam responsáveis pelo sucesso do negócio.

Advertisements