Mulheres

Em busca de sponsors

iStock_000048448890_SmallAAs consequências da desigualdade de gênero em altos cargos executivos não se restringem ao âmbito de uma empresa ou outra. De acordo com um estudo da Mckinsey, essa questão pode ter um impacto econômico mundial da ordem de US$ 12 trilhões. Ou seja, desconsiderar mulheres para esferas executivas tem o potencial de gerar perdas massivas para os negócios.

Embora já existam muitas iniciativas para minimizar esse efeito, a disparidade (especialmente de salários) persiste. No caso de Conselhos, por exemplo, sabe-se que quando um assento é aberto listas são feitas a partir de um grande pool de candidatos altamente qualificados de ambos os sexos. Então, qual seriam os empecilhos no caminho das executivas que almejam ser conselheiras?

Shelia Penrose, chairman da JLL, acredita que um dos fatores tem a ver com um tipo de tenacidade que falta à ala feminina. Para a executiva, mulheres (mais do que os homens) tendem a ter a expectativa de que suas qualificações, credenciais e experiência falem por si. “Claro que um background consistente ajuda a se candidatar para tomar assento à mesa, mas não é suficiente para vencer a votação final. Muitas executivas chegam a ser listadas, mas acabam perdendo o lugar para um candidato masculino. Isso porque, em geral, homens tendem a adotar uma postura ativa em defesa própria enquanto competem por uma posição”, argumenta.

No entanto, aumentar a diversidade de gênero em Conselhos pressupõe que homens ajudem a patrocinar mulheres para posições executivas e assentos como membros. Mas só a persuasão e a boa vontade do chairman e de comitês diretivos não bastam. É preciso adotar métodos mais incisivos de mudança de comportamento de líderes com poder de alterar esse cenário.

Para Penrose, programas de mentoring têm a capacidade de viabilizar mais candidatas a buscar e conseguir sponsors a fim de competir por posições em Conselhos de forma mais eficaz. “Ao expor executivas comprovadamente bem-sucedidas a novos contatos e a um conjunto maior de estilos de liderança que extrapolam tanto suas funções, como sua empresa e setor específico, programas de mentoring e outras iniciativas do tipo conseguem viabilizar uma competição mais eficaz, com mais mulheres, facilitando seu acesso às arenas do alto escalão”, diz.

A grande discussão do momento é que esse processo tem sido muito lento. Pesquisas sugerem que, se o ritmo continuar como o atual, as desigualdades de gênero vão continuar fazendo parte do cenário por muito tempo ainda. Por isso, medidas mais diretas precisam ser adotadas. Do contrário, essa questão — aliada a outras, como escassez de talentos, envelhecimento da população mundial — corre o risco de se aprofundar, afetando a performance de todos os setores.

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