CEO

Compreensão sofisticada

iStock_000032461958_SmallAGrande parte do sucesso de um chairman (presidente do Conselho) baseia-se na relação de confiança e transparência que tem com o CEO (quando os papéis não são exercidos por um mesmo executivo).

Dados indicam que a incapacidade do chairman em compreender a diferença entre seu papel e o do CEO é considerada uma de suas principais falhas — ele não está lá para conduzir o negócio sozinho; em vez disso, seu papel é o de coach e guia.

Andrew Kakabadse, pesquisador e autor de Leading the Board, propõe a seguinte distinção: “se o CEO é o coração da empresa bombeando vibração por meio de sua própria essência, o chairman é a alma da empresa, a sua consciência, seu guardião moral”.

Para ilustrar como vê as atribuições do chairman, Kakabadse usa uma analogia automobilística, conforme publicado no European Corporate Governance Report:

O chairman seria o responsável pelo estado técnico do veículo e pela segurança de todas as pessoas a bordo — acionistas, colaboradores e clientes. Ele deve assegurar que o CEO (motorista) siga os procedimentos de segurança necessários no automóvel: que há gasolina no tanque, óleo do motor, água nos para-brisas e que a borracha nos pneus está em bom estado. O chairman também deve garantir que as licenças necessárias estão atualizadas e que a documentação está em ordem, se forem parados para averiguação. Mas é o CEO que deve regular o acelerador e guiar o carro. O chairman se senta no banco do passageiro. Ele está lá para pisar os freios ou agarrar o volante numa eventualidade. Ou seja, o chairman e o Conselho devem ser consultados sobre o destino, mas não interferir enquanto o CEO está dirigindo, e eles devem deixar o trajeto para o time da alta gestão percorrer de fato.”

Para Kakabadse, a “prova de fogo” de um bom chairman é “a capacidade de deixar a alta gestão, liderada pelo CEO, seguir seu plano; mas também de puxar as rédeas com firmeza quando necessário”. E conclui que este ato de equilíbrio sutil só é efetivamente obtido quando o chairman atua de forma “excepcional”, assegurando que a organização continue “legalmente, moralmente e comercialmente no caminho certo”.

Como esse papel confere poder de uma forma muito diferente, que depende do contexto (do Conselho e do negócio), o chairman deve trabalhar duro pela boa dinâmica de equipe. Afinal, ele precisa imprimir coesão a um grupo que não se vê com frequência, mas que precisa trabalhar bem em conjunto.

A verdade é que um chairman competente exerce uma forma de liderança muito mais refinada, que requer uma compreensão sofisticada das pessoas, ademais de ter uma ótima perspectiva externa e interna da organização.

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