Mulheres

Depois de tomar assento

Matches in star formJá é notório que dar oportunidade às mulheres não se converte automaticamente em igualdade. A oportunidade em si é fundamental, mas o simples acesso a mulheres na alta gestão e no Conselho não torna o jogo corporativo nessas arenas mais nivelado.

Para Dianne Jacobs, da Talent Advisors, as dinâmicas de grupo podem ser o problema mais significativo de transição para as mulheres ao abrir espaço em um novo contexto. “Contexto molda quem exerce autoridade, assume papéis e participa. Então, o que leva à igualdade e a um verdadeiro poder das mulheres tem mais a ver com a cultura que rodeia sua recepção em grupos executivos top”, diz.

Segundo a especialista, depois de tomar assento é comum que a mulher única na mesa do Conselho experimente isolamento, sentindo dificuldade em ser ouvida ou reconhecida quando tem um ponto de vista divergente. Para romper essa “cabine à prova de som”, em vez de autocensurar seus comentários ou ceder, Jacobs pontua que essa conselheira precisa desenvolver um grau elevado de resiliência para desafiar o pensamento existente, ao mesmo tempo em que se empenha em ser recebida como parte do grupo.

Outro ponto para uma mudança real na dinâmica de interação em Conselhos ou comitês executivos, segundo famigerada pesquisa, é aumentar a representação feminina com, no mínimo, três mulheres. Também seria importante entender por que, mesmo sendo tão qualificadas quanto os homens que substituem, o número de mulheres em posições executivas (que seriam fonte para recrutar futuras conselheiras) não aumenta.

Isso poderia diminuir o fenômeno da “saia dourada”, quando apenas um grupo restrito de mulheres se senta e tem suas vozes ouvidas em diversos Conselhos. O jornal The Telegraph relatou, por exemplo, que uma executiva norueguesa a certa altura se viu na árdua tarefa de servir em 90 Conselhos diferentes.

Para Jacobs, ter mais mulheres na mesa requer uma gestão de transição que assume riscos, com iniciativas construtivas. Além disso, ela afirma que role models precisam abrir o caminho para que a próxima leva de diretores e executivos (mulheres e homens) entre em uma cultura corporativa diferente. Afinal, quanto mais mulheres ocuparem lugares em Conselhos, em comitês diretivos e como líderes de equipes, um novo contexto e dinâmica poderá entrar em jogo.

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