Governança

As regras do jogo

iStock_000073546609_SmallAAinda que as atividades de grandes corporações afetem a vida das pessoas de muitas maneiras, não se sabe ao certo o que altos executivos fazem, por que estão lá e como conduzem os negócios. De fato, a elite do mundo corporativo trabalha de forma muito particular, a portas fechadas em reuniões de Conselho.

Intrigado com essa falta de informação sobre atitudes e comportamentos no Conselho, Thomas L. Whisler e Paul M. Hirsch, professores da Business School da Universidade de Chicago, resolveram investigar esse mistério entrevistando mais de 60 executivos que servem nos Conselhos das maiores empresas norte-americanas.

Mesmos dispersos e sem contato entre si, esses conselheiros revelaram (com a garantia do anonimato) visões, valores e crenças comuns no exercício da governança corporativa. A pesquisa descobriu que eles têm um código básico, um conjunto de regras não escritas, que a maioria segue voluntariamente. Ou seja, eles têm suas regras do jogo, sintetizadas pelos autores do estudo conforme a seguir:

Regra 1: Não brigar
Para chegar a decisões sobre o uso de recursos corporativos, enfrentamos grande incerteza. Acordos e decisões racionais só são possíveis por meio da análise e diálogo, não pela agressão e ameaça. O respeito pela opinião dos outros, a clareza na apresentação de seus pontos de vista e um senso de responsabilidade são as marcas de um bom conselheiro, não a necessidade de vencer. Não esquecer que uma briga entre conselheiros pode levantar dúvidas na cabeça de investidores quanto à qualidade da governança corporativa e, portanto, sobre a saúde futura da empresa.

Regra 2: Apoiar seu CEO
Nós, do Conselho, escolhemos o CEO (ou optamos por manter o CEO). Seu sucesso valida nossa sabedoria; suas falhas a colocam em xeque. O trabalho do CEO é complexo e exigente; as pressões são enormes. Ao trabalhar com o CEO, é preciso distinguir o aconselhamento da crítica. Ele vai, ou deveria, dar atenção ao primeiro. Muita crítica significa que um de nós deve partir.

Regra 3: Trabalhar em prol do seu aprendizado
Quem é conselheiro de primeira viagem tem muito a aprender — na verdade, todas as regras do jogo. Se você serviu em outros Conselhos, então sabe que cada um tende a ter suas próprias regras práticas para trabalhar em conjunto. Em ambos os casos (como marinheiro de primeira viagem ou como veterano), ouça, observe e aprenda depois de entrar para um Conselho. Faça perguntas a companheiros, mas no vestiário, não na sala de reuniões. Faça seu aprendizado intensivo, mas curto. Você foi convidado para o Conselho com a expectativa de que tem alguma contribuição a dar. O Conselho conta com isso.

Regra 4: Sem cruzadas (campanhas em defesa de certos interesses, ideias ou princípios)
Os objetivos básicos e propósitos de uma organização certamente são conhecidos por quem serve em um Conselho: nós, como conselheiros, não buscamos reformar a sociedade, mas servir suas necessidades ao fornecer produtos e serviços por meio de uma performance corporativa honesta e eficaz. A função básica do Conselho é assegurar que esses objetivos corporativos sejam alcançados. O tempo disponível para fazer esse trabalho é limitado, uma vez que um Conselho se reúne apenas de quatro a seis vezes por ano. A distração imposta por um conselheiro engajado em alguma campanha particular na sala de reunião pode afetar seriamente o desempenho do Conselho. Para o conselheiro com uma missão: faça sua cruzada em outros lugares.

Regra 5: Fazer a lição de casa
Você foi escolhido para ser conselheiro por ter provado sua competência, sabedoria e bom senso. Mas não se esqueça de que hoje em dia a luta pela sobrevivência e o crescimento das empresas acontece em um contexto de mudanças rápidas, que envolvem novos e experientes concorrentes, novas tecnologias e condições políticas voláteis. Um vencedor faz planejamento cuidadoso e paira acima dos problemas atuais. Estude a informação dada a você e solicite mais se quiser. A expectativa é que conselheiros sejam “atiradores de elite”, com pontaria certeira. Não membros impetuosos, que falam sem pensar.

Regra 6: Participar
Conselheiros desempenham um papel único na organização. Algumas das coisas que estamos legalmente obrigados a fazer são corriqueiras (tais como resoluções bancárias), mas temos de estar preparados para tomar decisões fatídicas e difíceis, decisões que exigem toda a nossa experiência e conhecimento coletivo. Então, esteja presente, seja atencioso, seja participativo. Este não é um esporte de espectador.

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