Mulheres

Síndrome da “abelha rainha” perde força

Business woman shaking handsSegundo recente estudo da Columbia Business School, em Nova York, a falta de mulheres em posições top de liderança se deve mais pela baixa determinação de executivos e organizações em trabalhar pelo aumento de cotas femininas em altos cargos (e em Conselhos), do que à “síndrome da abelha rainha” — viés que descreve mulheres em posição de autoridade que tratam subordinadas do sexo feminino de forma mais crítica, mantendo-as afastadas da esfera de poder. Ou seja, aquela profissional bem-sucedida que se recusa a ajudar outras mulheres a alcançar o topo também.

O fenômeno da “síndrome da abelha rainha” foi sugerido pela primeira vez em um estudo de 1973, de G.L. Staines, T.E. Jayaratne & C. Tavris. Eles argumentaram que isso ocorria, em grande parte, porque a cultura patriarcal no trabalho encorajava as poucas mulheres que subiam ao topo a ficar inseguras de perder sua autoridade.

Mas, como já diziam os mais sábios, há de tudo neste mundo.

Claro que pode haver altas executivas menos propensas a ajudar outras profissionais a progredir na carreira por causa do medo da rivalidade profissional ou de serem prejudicadas. Por outro lado, nem toda líder bem-sucedida é, necessariamente, uma “abelha rainha” obcecada por manter sua autoridade e sem disposição para apoiar outras mulheres a avançar profissionalmente.

De fato, pesquisa recente mostra como esse estereótipo parece estar perdendo força. Com base em uma análise de times de alta liderança de 1.500 empresas ao longo de 20 anos, o estudo descobriu que, nas empresas em que mulheres são nomeadas como CEOs ou diretoras-executivas, outras mulheres têm mais chance de ocupar cargos mais altos. No entanto, quando mulheres ocupam simples posições de gestão, mas não na alta liderança, a probabilidade de outras mulheres ocupar níveis executivos cai em 50%.

De acordo com os pesquisadores, o menor número de mulheres em altas posições não se deve tanto à competitividade entre elas, mas sim ao que chamam de “cota implícita” de líderes femininas (discussão clássica em Conselhos!) apenas para melhorar a imagem pública da organização. “As mulheres enfrentam uma cota implícita, pela qual as empresas mantêm um número limitado de mulheres em seu quadro de altos executivos, geralmente apenas uma”, afirmam.

Isso significa, segundo o estudo, que ao nomear apenas uma mulher para o topo, as organizações experimentam um senso de dever cumprido e até conseguem melhorar sua reputação — o que não quer dizer que a questão da diversidade de gênero tenha sido tratada de forma adequada

A boa notícia é a constatação de que o estereótipo da “abelha rainha” esteja perdendo força. Afinal, estereótipos não ajudam em nada. E no que diz respeito à diversidade em Conselhos, vale o alerta para evitar a armadilha das “soluções fáceis”.

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