Governança

Aprendendo dos erros

businessman say no on corruption .conceptEm geral, quando histórias de fraude são descobertas em uma organização, o Conselho e a alta liderança dissipam logo o que consideram “casos pontuais” ou “aberrações corporativas”, dos quais não acham ser possível nem aconselhável tirar maiores conclusões.

A justificativa comum de Conselhos para tal atitude é que compartilhar esse tipo de evento, além de não ajudar a diminuir o contratempo que já aconteceu, ainda poderia fornecer um manual de instruções de moral duvidosa a pretensos fraudadores.

No entanto, na visão do CCC (Crime and Corruption Comission) da Austrália, ao relatar um dos maiores casos de corrupção ocorrido naquele país — caso Joseph Barlow, o “príncipe do Taiti”, que causou perdas de US$ 16,6 milhões, “as fraudes não poderiam ter sido tão bem-sucedidas ou continuado por tanto tempo se não fosse por uma série de fatores” (veja artigo “Lessons in Oversight”, de Tom McLeod).

Entre esses sistemas e processos ineficientes, o CCC listou:

– Baixos níveis de cumprimento de procedimentos e da política vigente pelas equipes.
– Falhas de gestão financeira e prestação de contas.
– Falhas de supervisão (Conselho) e gestão (Liderança).
– Processos de gestão da mudança inadequados que não conseguiram identificar risco e falharam em fornecer um processo de acompanhamento eficaz da inspeção.
– Baixa consciência do risco de fraude entre os colaboradores em todos os níveis.
– Falha em investigar corretamente e em um contexto mais amplo as informações fornecidas nas auditorias e em reclamações.

Segundo McLeod, a base da boa governança é estar preparada para checar em profundidade delitos de seus próprios colaboradores ou de outros casos conhecidos para poder aperfeiçoar seus processos e frameworks de controle continuamente. A organização que mantém seus sistemas de supervisão estáticos abre espaço para vulnerabilidades, permitindo que fraudes possam ser cometidas.

Em resumo, para ajudar a identificar e mitigar a fraude — o “silent killer” de uma organização —, a boa governança, além de ter pessoas com disposição para examinar informações avaliando-as em um contexto mais amplo, deve fazer isso de forma contínua. Só assim poderá evitar danos mais graves.

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