Estrutura

Qualidade, não quantidade

iStock_000032932466SmallADepois de tantos escândalos corporativos, o clima de temor e incerteza decorrente levou muitos líderes a aumentar a quantidade de informação que fornecem ao Conselho por medo de omitir algo relevante.

Mas Conselhos não devem ser sobrecarregados com excesso de detalhes operacionais. Pelo contrário, quando seus membros gastam muito tempo lendo relatórios gerenciais enormes, é sinal de que algo vai mal na governança. Afinal, microgestão não leva a um melhor desempenho da empresa. Na verdade pode até enfraquecer o foco estratégico da organização.

Lamentavelmente, em algumas empresas, relatórios internos podem ser completamente divorciados das decisões que precisam ser tomadas e da estratégia à qual precisam apoiar, já que, muitas vezes, contém dados inúteis. E isso não só pode resultar em sobrecarga de informação, como também em decisões mal embasadas.

Para evitar que isso aconteça, as informações disponibilizadas devem sempre se ajustar às necessidades do Conselho e ser relevantes para a atual estratégia e modelo do negócio. Cabe à gestão apurar essa informação essencial do dia a dia e chamar a atenção para problemas potenciais. É claro que é preciso haver uma grande dose de confiança entre o Conselho e a gestão para que os conselheiros não fiquem em dúvida se o que recebem é o que eles precisam saber.

Mas não basta apresentar os números certos na reunião do Conselho. Para agregar valor, executivos financeiros também devem atuar como consultores estratégicos, explicando o que está por trás da informação e apontar possíveis soluções para os problemas.

A responsabilidade pela boa qualidade e comunicação dos relatórios é conjunta, pois depende da habilidade da gestão em trazer pontos essenciais e da capacidade do Conselho em definir o que precisa. Além disso, ambos têm a função de determinar os indicadores de performance e garantir que sejam efetivamente monitorados, solicitando esclarecimentos e informações adicionais quando acharem apropriado, para uma melhor tomada de decisão.

No centro desse processo todo deve haver uma cultura de confiança e abertura. Conselheiros — especialmente não-executivos (NEDs) que não têm contato aproximado com o dia a dia da organização — precisam confiar que os executivos e gestores vão lhes dizer exatamente o que precisam saber para orientar e monitorar o negócio. Senão, só a sorte poderá impedir falhas por causa de informações valiosas que ficaram perdidas em meio a tantos relatórios.

Segundo a consultoria Metapraxis, membros do Conselho devem observar as seguintes características nas informações que estão recebendo:

Precisa. Posso confiar nos dados?

Relevante. A informação cobre questões críticas?

Oportuna. Está suficientemente atualizada?

Clara. É apresentada de tal maneira que eu a entenda rapidamente?

Avalia risco. É puramente descritiva ou é capaz de avaliar riscos futuros?

Profunda. Recebo apenas resumos ou posso acessar informações suplementares específicas?

Disponível. Posso acessar os dados por uma conexão de internet segura?

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