Governança

Lidando com o ativismo

Businessman boxingO ativismo de acionistas está em ascensão. E já tem sido visto como parte integrante do cenário corporativo e não mais como uma moda passageira. Isso porque o atual êxito de ativistas — e os bilhões de dólares que estão gerando —, não deixa dúvidas de que sua atuação vai continuar crescendo, bem como o tamanho de seus alvos.

Para se ter uma ideia, em 2013, empresas dos EUA visadas por ativistas passaram a ter uma capitalização de mercado de 10 bilhões de dólares em média contra os menos de 2 bilhões de dólares que tinham no final da década passada. Em 2014, investidores ativistas elevaram fundos sob sua gestão de 9,4 bilhões de dólares para 111 bilhões de dólares, só no primeiro semestre daquele ano. Em face deste sucesso, os fundos de ativistas estão desfrutando grande afluência de capital.

O fato é que o ativismo está se tornando uma força a mais a ser reconhecida. Seja exigindo assentos no Conselho ou a remoção de diretores e conselheiros, seja lançando uma oferta hostil ou defendendo estratégias de negócios específicos, ativistas estão surgindo com táticas cada vez mais ambiciosas e criativas.

Diante dessa tremenda influência de ativistas, Conselhos e a alta gestão terão que ficar cada vez mais dispostos a ouvir suas ideias. Mas para tanto, precisam estar preparados e entender como ativistas pensam e que meios e ferramentas empregam.

Para começar, membros do Conselho precisam conhecer as vulnerabilidades da organização que podem atrair a atenção de ativistas e entender que defesas a empresa estabelece para se proteger. Paralelamente, precisam entender quem são os acionistas de sua empresa e com o que se preocupam. Abaixo alguns pontos essenciais para lidar com o ativismo:

Entender vulnerabilidades. Conselhos precisam rever cuidadosamente seus negócios e estratégia para identificar todos os pontos fracos que possam criar preocupação entre os investidores. O fraco desempenho, por exemplo, é a maneira mais fácil de chamar a atenção de ativistas. Uma vez que as vulnerabilidades sejam identificadas, os Conselhos precisam determinar como lidar com elas, enquanto se concentram no que proporciona mais lucro aos acionistas.

Certificar-se sobre as defesas. Conselhos precisam ser capazes de defender suas organizações de ataques oportunistas. Assim, é fundamental que o Conselho avalie quais defesas a empresa tem em vigor ou que tipo de proteção é facilmente implementável para evitar takeovers indesejados, por exemplo.

Preparar-se contra ataques. É preciso estar preparado para reagir se um ativista se insurgir. Vale a pena montar uma equipe especialista em ativismo, composta de funcionários legais, consultores financeiros e representantes, que desenvolva um plano para lidar com a ação de ativistas. Ter um plano estabelecido que considere vários cenários leva a uma reação mais racional, eficaz e oportuna.

Conhecer e envolver acionistas. Empresas precisam entender a divisão de sua base acionária e monitorar a negociação das ações da organização. Cultivar relacionamentos com os principais investidores, monitorando ativamente suas preocupações e opiniões, é importante para descobrir o que querem e obter suas perspectivas sobre a empresa, ajudando a construir credibilidade e relações mais fortes. Além disso, empresas precisam comunicar continuamente e de forma eficaz suas estratégias de negócios e planos para reforçar o branding e gerar valor para o mercado.

Nível de engajamento do conselheiro. As organizações precisam determinar se, e em que medida, conselheiros devem se comunicar diretamente com os acionistas em nome da empresa. Já existem campanhas para que Conselhos adotem formalmente políticas de engajamento entre acionistas e conselheiros, já que esse engajamento é importante para investidores.

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