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De quem é a culpa?

This way or that wayDecisões ruins podem ser feitas com a melhor das intenções, e profissionais competentes, muitas vezes, acreditam piamente que estão atuando com bom senso – só que não…

Isso porque, independentemente da boa-fé de um executivo, alguns fatores podem distorcer seu julgamento impedindo que as decisões sejam imunes a preferências e lealdades. Entre eles, estão: conflitos de interesse, submissão à autoridade, pressão de pares, apego emocional ou se pautar inadequadamente por experiências passadas e resoluções anteriores.

Para complicar, limitações cognitivas subconscientes também influenciam líderes na hora de deliberar. Um exemplo é o viés de atribuição de auto-favorecimento (self-serving attribution bias – SAB), que se refere a indivíduos que assumem a responsabilidade por bons resultados, mas culpam as circunstâncias ou outras pessoas por resultados malsucedidos.

Essa tendência, estreitamente associada ao excesso de confiança, pode ser fatal para o trabalho de monitoramento do Conselho.  Ao atribuir os êxitos às próprias habilidades e as falhas a fatores externos, a gestão pode retardar respostas a informações negativas, diminuindo a eficácia da alta liderança em tomar decisões acertadas.

Evidências indicam que executivos que costumam jogar o “jogo da culpa” (blame game) tendem a apresentar mais esse viés, atribuindo falhas a fatores externos para acalmar membros do Conselho. Afinal, executivos são menos punidos quando a baixa performance se deve a fatores externos. Nesse sentido, após um desempenho ruim, conselheiros ficam mais propensos a aceitar as desculpas de executivos que aplicam o “jogo da culpa” do que daqueles que não fazem uso desse artifício.

Para incentivar uma visão isenta e independente ao monitorar o negócio, Conselhos devem ter consciência quanto à parcialidade em processos de tomada de decisão e buscar promover a diversidade de pontos de vista, empregando meios para legitimar a dissidência, como, por exemplo, realizar algumas reuniões sem a presença da gestão executiva.

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