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Feedback para aprimorar CEOs

businessman whisper about secretConselhos contratam, avaliam, reconhecem e… removem CEOs. Mas também devem garantir que o desempenho do CEO seja o melhor possível. Para isso, precisam se certificar que o CEO esteja apto para a função, ao mesmo tempo que o encorajam e aconselham.

Jean-François Manzoni, do Insead (Focus on Boards), diz que Conselhos devem encontrar o equilíbrio entre apoiar o CEO e desafiar seu desempenho, para obter os melhores resultados para a empresa. Para ele, além da assistência, Conselhos têm que se esforçar para dar feedback ao CEO. Mas isso nem sempre é fácil: CEOs tendem a ser pessoas razoavelmente fortes, afinal foi por isso que chegaram ao topo. E muitas vezes vão contra a corrente, pois acreditam que, por sua experiência em criar e desenvolver empresas, chegam aos melhores insights.

A questão é que, por ser indivíduos dotados de automotivação, nem sempre aceitam bem receber feedback. O ego desses líderes, de acordo com Robert Kaplan, especialista em práticas de gestão da Harvard, muitas vezes faz com que lidem mal com opiniões que ameaçam sua autoimagem — apesar de hoje ser cada vez mais crucial que altos executivos aprendam a ouvir o que os outros têm a dizer.

O fato é que o CEO, em geral, tem um ego sólido para alcançar sucesso. Em alguns casos, pode ser necessário até que ele não dê ouvidos a feedbacks negativos para seguir adiante com uma estratégia. “Conselhos também precisam considerar aceitável que CEOs pressionem o botão ‘mudo’ para entregar resultados, mas sem ficar deprimidos por muito tempo. Se o CEO tornar-se completamente surdo, no entanto, o Conselho deve intervir”, diz Manzoni.

Para saber expressar seus questionamentos, membros do Conselho devem se lembrar de alguns critérios consagrados de como fazer um feedback tornar-se mais palatável:

Confiança: quem recebe o feedback deve confiar em quem oferece. Se o CEO achar que o Conselho está do seu lado e se confiar em seus membros, será mais fácil de aceitar o feedback.

Fatos: o feedback deve ser fundamentado em informações comprovadas, e não baseado em fofocas ou boatos.

Precisão: o feedback deve ser equilibrado. Mencionar somente as falhas vai desconectar quem recebe, especialmente altos executivos como CEOs.

Respeito: o processo de comunicação deve ser respeitoso e aberto ao ponto de vista de quem recebe.

Mas se a relação entre o Conselho e CEO já estiver abalada, será mais difícil estabelecer essas condições. O importante é cultivar o relacionamento desde o início. Do contrário, nem o CEO vai se sentir seguro o suficiente para ouvir o que o Conselho tem a dizer, nem o Conselho vai conseguir desafiar o CEO quando necessário.

Vale lembrar que o CEO exerce um dos papéis mais solitários no mundo dos negócios. Por isso mesmo, Conselhos não devem apenas avaliar seu desempenho, como também ajudá-lo a evitar erros e a aperfeiçoar a efetividade de sua liderança. Afinal, a substituição de um CEO é sempre um processo muito oneroso para as empresas.

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