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Liderança estagnada?

close up of buisnessman in suit and tieSuborno e corrupção têm sido identificados como os principais fatores antiéticos que limitam o crescimento, prejudicam a inovação e contribuem para colocar as organizações em risco. Uma questão que continua sendo de grande preocupação para organizações de todos os tamanhos, em todas as regiões e em praticamente todos os setores.

Não é à toa que políticas ABAC (sigla em inglês para anti-suborno/anti-corrupção) têm sido cada vez mais implementadas para prevenir, detectar e investigar fraudes, atos de corrupção e crimes econômicos em todas as suas formas.

Mas, a despeito da luta de instituições que valorizam a integridade e a transparência, exigindo o cumprimento de padrões éticos e tolerância zero para atividades fraudulentas de qualquer natureza, condutas antiéticas continuam se alastrando. ​​

De acordo com recente levantamento da Ernst Young, há indícios de que os esforços de compliance estejam perdendo força devido à falta de envolvimento da alta liderança.  O 13th Global Fraud Survey, realizado com mais de 2.700 executivos em 59 países, revela que, apesar de ações mais intensas contra fraudes e corrupção, o percentual de empresas que têm uma política ABAC aumentou apenas 1%.

Tal estagnação, segundo a pesquisa, se deve à atitude de executivos relutantes em participar de programas de compliance e em tomar outras medidas necessárias. Por exemplo, os dados demonstram uma redução significativa no comparecimento de líderes em treinamentos sobre políticas ABAC, com apenas 38% de altos executivos presentes.

Se os altos executivos não dão o exemplo e a liderança não está suficientemente envolvida, riscos significativos podem não ser endereçados ou abordados efetivamente. A ironia é que esses executivos top são os que enfrentam maior exposição a riscos de corrupção.

É aí que o Conselho precisa mostrar a que veio, com uma supervisão intensa e permanente que garanta o compromisso dos executivos. Afinal, como o grande responsável por promover uma cultura anti-corrupção dentro da organização, o Conselho deve definir o tom de tolerância zero e incentivar a gestão a construir equipes para mitigar os riscos de fraude e corrupção.

Mas apenas lançar um programa ABAC e mostrar apoio no início não é suficiente. O compromisso contínuo e significativo é a chave para a condução de comportamentos positivos em toda a organização. Do contrário, o tom ético do topo tende a se diluir.

Pelo jeito algo que, infelizmente, vem acontecendo.

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