Governança

Pela contenção do curto prazo

hourglass with dollar inside (time is money concept)A visão de curto prazo de muitas empresas tornou-se uma questão recorrente na arena de negócios. Pela pressão de resultados, objetivos de curto prazo ganharam mais espaço, principalmente depois da crise de 2008.

Em contrapartida, há um movimento crescente para conter essa tendência em Conselhos, pelos efeitos destrutivos que pode provocar. O problema do “imediatismo” (short-termism) começa quando as decisões de investimento de longo prazo são sacrificadas em favor de ganhos de curto prazo. Por isso, muitos defendem que o ideal é pensar e agir pelo longo prazo, mas, ao mesmo tempo, trabalhar pelas prioridades imediatas, equilibrando as duas práticas.

Um dos primeiros diagnósticos sobre o short-termism apareceu no report Breaking the Short-Term Cycle (2006), do CFA Institute. Agora, para revisitar o tema e propor soluções, o instituto produziu um novo relatório (Visionary Board Leadership), sobre o papel do Conselho na luta contra o excesso de objetivos de curto prazo. O estudo traz as questões, oportunidades e práticas de “Conselhos Visionários” (comprometidos com o sucesso duradouro da organização) para amenizar o short-termism e construir valor de longo prazo para os acionistas.

O autor do report, Matt Orsagh, aponta seis áreas específicas nas quais os Conselhos devem se concentrar para atuar com uma abordagem de longo prazo na governança. A seguir, veja o que é necessário fazer em cada uma:

Em práticas sobre lucros trimestrais, o Conselho visionário:
• Desestimula jogos com os lucros trimestrais feitos pela gestão.
• Supervisiona seu processo de orientação com foco em resultados de longo prazo.
• Participa da divulgação dos resultados trimestrais e busca sua própria informação além da que é fornecida pela gestão.

Na comunicação com acionistas, o Conselho visionário:
• Garante mecanismos para receber inputs de investidores no Conselho.
• Constrói uma cultura de “comunicação constante” (e não só quando os problemas surgem).
• Permanece informado sobre o que preocupa investidores, funcionários, clientes e outros stakeholders, mesmo quando é algo negativo.

No direcionamento estratégico, o Conselho visionário:
• Se envolve ativamente na definição da estratégia da empresa e sabe que sua supervisão é um processo contínuo.
• Sabe que uma estratégia eficaz deve combinar elementos de curto, médio e longo prazo.
• Pode, de forma inteligente, divergir da gestão sobre a execução do plano estratégico.

Na supervisão do risco, o Conselho visionário:
• Sabe que a supervisão do risco é uma responsabilidade do Conselho como um todo.
• Compreende o plano de Gestão do Risco da empresa.
• Pode explicar claramente aos investidores o papel de supervisão do risco do Conselho.
• Sabe que o risco não pode ser eliminado e também garante um forte planejamento da Gestão de Crises.

Na remuneração de executivos, o Conselho visionário:
• Trabalha para alinhar remuneração com desempenho de longo prazo.
• Sabe o efeito que assumir riscos exerce na estrutura de remuneração em toda a empresa.
• Comunica bem a filosofia de remuneração do Conselho para os acionistas e é proativo em preparar a Política de Remuneração (regras de divulgação e transparência).

Sobre a cultura da empresa e do Conselho, o Conselho visionário:
• Faz questionamentos difíceis sobre si mesmo e para a gestão.
• Se inteira sobre as questões “soft” de cultura da empresa e regularmente interage com os colaboradores abaixo da alta gestão.
• Quer saber sobre questões de ética levantadas nos canais de reclamação.
• É intelectualmente curioso sobre a empresa e conversa sobre a cultura para obter esclarecimentos e insights.

 

 

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