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O perigo da unanimidade

Lighting bulb head businessman standing with groupGroupthink (literalmente, pensamento grupal). Já ouviu falar? Refere-se à tendência dos grupos em se envolver em tomadas de decisões ruins ou prejudiciais pela falta de senso crítico. A ideia básica por trás do groupthink é simples e familiar: os membros de um grupo simplesmente seguem o que o líder diz para ser feito, sem questionar ou argumentar, porque a dinâmica do grupo, em geral, tende a favorecer a condescendência.

Definido por especialistas como uma deficiência no processo decisório de um grupo, o groupthink tende a surgir quando a liderança é distante, isolada e sem tradição de promover discussões abertas. Isso mantém o grupo com uma mentalidade uniforme, que atua por pressão em conformidade com as crenças dessa liderança, criando uma ilusão de unanimidade.

No caso de Conselhos, isso pode ser fatal, já que problemas significativos podem surgir quando comitês diretivos sufocam qualquer tipo de discordância ou não são intelectualmente diversificados.

Tem gente que alega até que o escândalo da Enron foi provocado pelo fenômeno do groupthink. De acordo com as investigações, o Conselho da Enron — que usava métodos fraudulentos para mascarar dados contábeis e inflar artificialmente os preços das ações — desenvolveu uma cultura de conformidade que desencorajava diversos pontos de vista, além de operar com um sentimento de invulnerabilidade em decisões de risco. Ambas características do groupthink.

O antídoto proclamado para evitar essa correspondência de opiniões ou um grupo formado só por quem pensa parecido em Conselhos seria promover uma composição mais diversa de conselheiros.

No entanto, há quem diga que depositar todas as fichas na diversidade não é suficiente para solucionar essa questão. Para Michael Skapinker, autor do artigo “Diversity fails to end boardroom groupthink”, o problema é mais complexo: “Existe uma enorme pressão para concordar com aqueles que se sentam ao redor da mesa com você. A maioria de nós sente a necessidade de pertencer. Então, é desconfortável ser o eterno dissidente”.

Pode ser que ampliar a variedade de perfis na composição do Conselho, por si só, não impeça as empresas de continuar tomando decisões erradas. Mas para estimular perspectivas diferenciadas já é um bom começo.

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One thought on “O perigo da unanimidade

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