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Quem dá o tom

eticasmallEmbora aplicar ética às decisões de estratégia de negócios às vezes possa parecer algo vago, Conselhos podem adotar medidas concretas para melhorar o nível de compliance e ética nas empresas. Afinal, é o Conselho, no exercício de suas responsabilidades, que ajuda a definir o “tom ético no topo” (“tone at the top”) das organizações.

A fim de evitar qualquer suspeita de conflito de interesses, membros do Conselho devem agir com diligência para, entre outras medidas, assegurar que estão plenamente informados de todos os fatos relevantes antes de tomar uma decisão, fazer perguntas sobre a gestão e sempre ter um registro de seu envolvimento.

Como já dizia o ex-chairman do SEC (U.S. Securities and Exchange Commission) William Donaldson, o ideal é se lembrar de colocar a honestidade e a integridade no centro de toda decisão de negócio.

Ao lidar com questões relacionadas a ética e compliance, Michael D. Greenberg (autor de “Directors as Guardians of Compliance and Ethics Within the Corporate Citadel”) sugere para conselheiros as seguintes dicas publicadas pela RAND Corporation:

• Contribuir para que a empresa tenha e mantenha um alto padrão de integridade e conduta ética. Afinal, depois de escândalos corporativos famosos, uma cultura honesta e transparente é a melhor proteção do valor da companhia para os acionistas e, consequentemente, a melhor garantia para os diretores.

• Compreender que a boa governança corporativa significa mais do que “ticar a lista”. Processos contam. É essencial ajudar a estabelecer um processo vigoroso de aprovação em decisões de negócios importantes.

• Buscar capacitação contínua para garantir que estejam preparados para monitorar aspectos de ética e compliance da empresa e para fazer as perguntas certas à alta gestão e CEO, como, p. ex., ao final de cada reunião: “Há algo mais que deveríamos saber?”.

• Estimular que a empresa realize uma avaliação periódica do seu programa de compliance e ética por uma empresa idônea e independente.

• Recordar que os princípios éticos na prática de Conselhos continuam valendo. Assim, é importante não deixar de insistir em receber o material das reuniões com antecedência, de defender que os encontros tenham tempo suficiente para as deliberações, e de que o draft da ata seja divulgado logo após a conclusão de cada reunião.

Não custa reforçar que, para evitar ser responsabilizado, cada conselheiro deve se concentrar em exercer um julgamento fundamentado do negócio, abrangendo sempre as questões éticas e de compliance.

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