Estratégia

Entendimento comum

GearsReconhecer o Conselho como um recurso e aproveitar a experiência de seus membros parece uma ideia óbvia. Na prática, para que isso aconteça um ponto essencial é a empresa garantir que os conselheiros entendam de fato a estratégia de longo prazo.

Quando o Conselho fica alinhado à estratégia da organização, seus membros podem desafiar e questionar melhor o conteúdo do que se pretende alcançar — não só para aperfeiçoar os planos, como também para descobrir novas oportunidades. Quem afirma é Ram Charan, que recentemente lançou o livro “Boards That Lead”.

Segundo ele, “as melhores estratégias nascem da análise e criatividade da alta gestão, conectada ao questionamento incisivo e análise do Conselho. Interações mais profundas de conselheiros com a gestão fortalecem a estratégia e garantem que ela seja realista. Ao reformular e melhorar a estratégia, a alta gestão e o Conselho chegam a um entendimento comum”.

Para o especialista em liderança, o verdadeiro valor do Conselho reside em ajudar a gestão a testar se a estratégia está fundamentada na realidade. Para isso, deve insistir que a gestão responda a perguntas fundamentais: Quanto de dinheiro essa estratégia vai trazer? Quais os recursos para isso? A percepção da proposta de valor do negócio se sustenta frente ao cliente/consumidor?

Além do mais, o conhecimento profundo do Conselho sobre a estratégia pode ajudar a empresa a ganhar agilidade em tomadas de decisão. Afinal, no atual contexto, responder rapidamente a necessidades imediatas ou antecipar movimentos para aproveitar oportunidades é a marca das empresas de alta performance.

Para que todos fiquem alinhados e o Conselho possa contribuir com sua expertise, entendendo se as propostas e ações do CEO e da gestão estão em sintonia com o plano estratégico, Charan recomenda sessões/reuniões especiais, com atenção para três pontos essenciais:

1. O Conselho deve entender claramente o ponto de vista da gestão quanto ao contexto externo. Isso inclui mudanças na economia; oportunidades e ameaças; principais mercados onde é previsto crescimento; inovação tecnológica; concorrentes; fusões e aquisições no setor; comportamento do consumidor; canais de distribuição.

2. O CEO e a alta liderança devem apresentar para o Conselho como pensam o conteúdo da estratégia — mas permanecer abertos a adaptações. Essa apresentação deve ser extremamente clara e firme para que os membros do Conselho possam captar sua essência rapidamente. O Conselho deve ouvir as ideias apresentadas em linguagem simples e nas palavras da própria gestão, para que entenda da melhor forma possível. O objetivo não é “vender” a estratégia e sim explicá-la.

3. Dar tempo e oportunidade para o Conselho questionar e investigar. A sessão especial sobre estratégia deve encorajar o Conselho a reagir, considerar, levantar questões e expressar suas hesitações. Do contrário, a discussão não vai se aprofundar e todo esforço será insatisfatório. Dois princípios devem reger a sessão: informalidade e consenso. Todos devem se sentir à vontade para desafiar e questionar uns aos outros.

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