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Política: um processo contínuo

iStock_000010153979SmallBA política nos envolve em processos de luta por recursos limitados – não apenas materiais e financeiros, ou de poder, mas também por atenção, respeito e tempo, para ter a oportunidade de ser ouvido com cuidado em uma reunião de Conselho, por exemplo.

A política – definida por Eisenhardt & Bourgeois como o “conjunto de ações observáveis, mas em geral encobertas, pelas quais executivos aumentam seu poder para influenciar decisões” – existe tanto em sistemas formais como informais de poder. Só que ela tende a operar mais no informal, que é vago, impreciso…

Isso porque, como uma tentativa deliberada de subjugar a percepção geral para fins próprios, a política se move na esfera da opinião, da interpretação, da ambiguidade e do oportunismo.

Ela não só gira em torno de percepções da realidade, como também constrói a realidade. Então, se um número suficiente de pessoas acreditar piamente que algo é verdadeiro, efetivamente será. Especialmente se for difícil trazer a verdade à tona ou se evidências circunstanciais e preconceitos pessoais coincidirem com tal percepção. Por isso, no mundo das organizações, quem sabe sabe: percepção é realidade.

Ainda que a capacidade política seja mal vista pela maioria, sabemos que as pessoas que operam com sucesso em esferas mais altas das empresas aprenderam habilidades políticas de alguma forma. Afinal, o trabalho organizacional sênior e do Conselho é altamente político.

Mas nem sempre a política tem conotação negativa. Exemplos de situações em que é necessária uma grande habilidade política para atuar com sutileza e eficácia são: um CEO de baixa performance ou pouco comunicativo; conflitos de personalidade entre os membros do Conselho; formação de panelinhas; agendas ocultas; falta de consenso; acionistas com agendas exclusivas; dados questionáveis sendo apresentados, e por aí vai…

Em organizações complexas, ainda que as decisões sejam determinadas mais por uns que por outros, no fim – em maior ou menor grau – todos dependem uns dos outros. E, no caso do Conselho, é preciso uma grande capacidade de articulação para ter influência e fazer seus membros trabalharem na direção pretendida.

Assim, observar e descobrir as formas particulares que a política assume no Conselho/organização onde se atua pode fazer uma diferença considerável ao navegar pelas águas turvas dos negócios.

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