Estrutura

Tamanho importa?

iStock_000024573204SmallBLOGEm função dos constantes desafios econômicos do mercado mundial, o tema “governança” colocou o Conselho em uma posição de destaque, especialmente em relação à performance da empresa, gerando um interesse maior por suas dinâmicas e demografia (composição, estrutura, modelo, etc.).

Não é à toa que o tamanho do Conselho (quantidade de membros), um dos mecanismos da governança que pode ter efeito na performance da organização, anda em foco ultimamente.

Dizem que uma das maiores preocupações quando um Conselho se torna muito grande é acabar assumindo um papel mais simbólico, em vez de cumprir sua função prática na governança. E parece que Conselhos maiores provocam outras desvantagens que também podem afetar performance: falta de coesão no grupo, discussões menos relevantes que tomam tempo, dificuldade na comunicação, impossibilidade de fazer reuniões regulares, free rider problem, entre outros.

Em contrapartida, alguns pesquisadores sugerem que tamanhos menores sejam mais favoráveis à performance da empresa. Martin Lipton e Jay W. Lorsch, por exemplo, consideram que o número ideal de executivos em um Conselho é de 8 a 9 membros. Inclusive, para eles, uma quantidade maior do que essa começa a dificultar o trabalho do CEO.

No entanto, há quem diga que Conselhos muito pequenos não se beneficiem do tipo de opinião e consultoria especializada que é encontrada em Conselhos maiores, nem consigam obter o mesmo nível de diversidade (experiência, habilidades, gênero, nacionalidade).

Ou seja, há prós e contras. E nenhum dado conclusivo.

Ainda assim, o mercado tem apontado uma preferência por Conselhos menores. Segundo resultados do Eversheds Board Report (2013), Conselhos mais reduzidos em tamanho tendem a apresentar melhor desempenho no valor das ações da empresa. O relatório também revela uma diminuição significativa (8%) no número médio de membros nos últimos cinco anos. E a maioria dos conselheiros entrevistados, incluindo aqueles que servem em Conselhos com sistemas de decisão separados (two-tier) na Europa, acredita que um Conselho eficaz deve ter menos do que 12 membros.

Nesse ponto há consistência. De acordo com o Spencer Stuart U.S. Board Index 2013, 84% dos Conselhos nos EUA possuem 12 membros ou menos, sendo que o tamanho médio por lá é de 10,7 membros (número que se mantém estável há dez anos).

Mesmo com toda essa discussão em voga, é evidente que a efetividade do Conselho não depende exclusivamente de quantos membros fazem parte do grupo, e sim de um conjunto de variáveis, entre as quais destaco, por exemplo, o perfil dos executivos somado à sua experiência e conhecimento adequados para exercer suas responsabilidades com competência.

Não custa nada reforçar…

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