Mulheres

Número mágico

Maos
Existe um número mínimo de mulheres presentes em Conselhos para fazer a diferença e gerar valor para a empresa?

Ao que tudo indica, sim. E não é de hoje que essa questão tem sido investigada por especialistas.

Com base na Teoria da Massa Crítica (“quando uma minoria – gênero, etnia, etc.- alcança massa crítica, uma mudança qualitativa acontece na essência das interações do grupo”), muitas pesquisas foram realizadas.

Entre os mais famosos estudos está o de Rosabeth Moss Kanter, da década de 1970. Essencialmente, Kanter sugere que as mulheres – como minorias em ambientes dominados por homens – têm pouca chance de exercer influência sobre a organização até que se tornem uma “minoria consistente” ou significativa. E que, acima desse ponto (número representativo), elas podem começar a surtir efeito e, consequentemente, impactar a empresa.

Consistente com a articulação original de Kanter sobre a teoria da massa crítica, a pesquisa “Critical Mass on Corporate Boards: Why Three or More Women Enhance Governance”, de 2006, tornou-se referência ao chegar à conclusão de que o efeito da diversidade de gênero em Conselhos só é significativo quando há pelo menos três mulheres entre os conselheiros.

Segundo os resultados: “Uma magia parece suceder quando três ou mais mulheres fazem parte de um Conselho juntas. De repente, ter mulheres na sala se torna uma situação normal. Uma só mulher já não representa o “ponto de vista da mulher”, pois mulheres expressam pontos de vista diferentes e, muitas vezes, discordam entre si. As mulheres começam a ser tratadas como indivíduos, com personalidades, estilos e interesses diferentes. As conhecidas tendências femininas quanto a ser mais colaborativas e mais ativas para perguntar e levantar questões diferentes passam a ser a norma nas reuniões de Conselho. Descobrimos que com três ou mais mulheres no Conselho pode-se criar uma massa crítica, em que as mulheres deixam de ser vistas como intrusas e passam a ser capazes de influenciar o conteúdo e o processo das discussões do Conselho de forma mais substancial.”

Isso quer dizer que o debate não se restringe mais à simples presença da mulher em Conselhos e sim ao número de representantes do gênero feminino. Lembrando o que foi constatado: nomear apenas uma ou duas mulheres será improdutivo, já que com tão baixa representatividade elas tendem a ser rotuladas, estereotipadas e ignoradas pelo grupo dominante (conselheiros homens) e a ter dificuldades em fazer contribuições para a empresa.

Assim, pelo visto o importante é ter a tal “minoria consistente”. Do contrário, nenhuma mudança será percebida.

Dito isso, faço questão de ressaltar que mulheres não devem ser incorporadas simplesmente porque são mulheres. Para atuar bem em Conselhos, as profissionais precisam estar qualificadas. Ter grande experiência corporativa, expertise, habilidades e competências necessárias para contribuir nas questões estratégicas.


Para saber mais:

Critical Mass: Does the Number of Women on a Corporate Board Make a Difference

Critical Mass: The Impact of Three or More Women on Corporate Boards

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One thought on “Número mágico

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