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CEOs investem tempo em quê?

Reloginho
Sabe-se que entre os principais papéis do Conselho está o de ajudar o CEO a tomar boas decisões e a direcionar seu foco e energia nas ações que levem ao sucesso da organização, aumentando sua performance e produtividade.

Como o grande arquiteto de uma companhia, o CEO projeta a visão e molda os valores que determinam a cultura e as operações da empresa. Isso significa que ele é o membro mais importante da gestão não só por sua posição na hierarquia organizacional, mas principalmente pela influência que exerce nos stakeholders (internos e externos).

Digo isso para comentar o estudo de quatro pesquisadores da Harvard, da London School of Economics e do European University Institute, que investigaram 100 executivos para tentar entender o que um CEO faz no dia a dia e como divide sua agenda.

Segundo os resultados do estudo, a forma como o CEO investe seu tempo é especialmente importante para o sucesso financeiro da empresa.

De modo geral, o estudo não detectou impacto mensurável entre produtividade e o tempo do CEO gasto com pessoas de fora da organização. Por outro lado, o tempo do CEO gasto com pessoas de dentro da empresa foi positivamente relacionado ao aumento de produtividade.

Ainda bem que, em média, o CEO passa 85% do seu tempo com outras pessoas (em reuniões, telefonemas, congressos) e só 15% do tempo passa sozinho.

Outra medida analisada quanto à performance do CEO foi o nível de qualidade da governança. Para isso, os pesquisadores levaram em conta aspectos como tamanho do Conselho, a presença de pelo menos uma mulher entre os conselheiros e atuação internacional, entre outros. O que descobriram foi: em empresas com forte governança e, consequentemente, mais produtivas, os CEOs passam mais tempo com profissionais internos do que com stakeholders externos. De novo! Ao que tudo indica, o pessoal interno tem mais peso.

Ou seja, se hoje o mundo é incerto e complexo, o CEO que quiser ser mais efetivo terá que buscar interagir mais com as pessoas da empresa. Em oposição a ser o grande oráculo que detém todas as respostas, ele vai precisar cada vez mais exercer uma liderança compartilhada.

E isso envolve a habilidade de se fazer acessível para as pessoas, mas também a de atuar com consistência, de fazer valer o que ele diz. Ou, como dizia Guimarães Rosa: “de ir até o rabo da palavra”.

De preferência, com o apoio do Conselho.

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