Estrutura

Conselhos na era digital

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A tecnologia não só revolucionou a economia, como a estrutura dos negócios. Nesse sentido, Conselhos também não escaparam da era digital. Já existem novas soluções desenvolvidas para as necessidades de Conselhos que prometem não só eficiência no processamento das informações, como ganho de tempo em reuniões e na tomada de decisões.

Empresas especializadas em board portals acenam com a possibilidade de agilizar os processos do Conselho, tais como eliminação de relatórios impressos, acesso permanente aos materiais, maior troca de ideias entre seus membros, entre outros. No entanto, transferir práticas do Conselho para este ambiente paperless exige cuidados com a segurança da informação.

Não tenho a menor intenção de minimizar as vantagens desse tipo de ferramenta. Pelo contrário: sou totalmente adepta da tecnologia. Mas, frente a tantos escândalos recentes de quebra de sigilo individuais e corporativos, penso: quem estaria disposto a “compartilhar” informação estratégica da empresa, arriscando expor o negócio com vazamento de dados (data leaks)?

Enquanto houver risco (e sabemos que há), o jeito é manter toda informação a salvo – especialmente Conselhos que lidam com informação estratégica todo tempo. Ainda assim, pode ser interessante dar uma olhada nas seguintes associações que parecem ter adotado portais: French Institute of Directors (IFA), Belgian Institute of Directors (Guberna) ou o Swiss Institute of Directors (SIVG). A experiência deles pode ser útil para entender melhor aspectos sobre proteção de dados e para descobrir a opinião de seus membros.

Independentemente de ser digital ou impressa, a forma como a informação é divulgada também influencia a efetividade do Conselho. Seria ótimo que os relatórios fossem sucintos, com uma linguagem mais simples e direta, não só para o acionista sentir mais vontade de ler os documentos, como também para entender melhor e mais rápido a informação disponibilizada.

É evidente que a tecnologia facilita a comunicação, mas vale lembrar que ela não substitui o diálogo entre os conselheiros. Como já disse Jeffrey A. Sonnenfeld (What Makes Great Boards Great), o Conselho que se distingue é organizado por um sistema social robusto que depende das interações de confiança entre seus membros. Nenhuma tecnologia supera isso.

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