Mulheres

A controvérsia das cotas

valetes e dama

Desde que a Noruega introduziu, por lei, cotas de gênero em Conselhos em 2003, a controvérsia não teve mais fim. Para quem não sabe, a legislação estipulava que até 2008 todas as empresas participantes da Bolsa do país tivessem ao menos 40% de mulheres entre os membros do Conselho.

A medida levantou uma grita. Alguns diziam que não havia número suficiente de mulheres qualificadas, outros que isso poderia arruinar a economia. O fato é que a lei passou, as empresas se mexeram e em 2009 o objetivo proposto pelo governo tinha sido totalmente cumprido.

Seguindo os passos da Noruega vieram Espanha, França, Itália, Bélgica e Islândia. Agora, li que o mais recente país a se manifestar foi a Alemanha. Na semana passada, os principais partidos do país firmaram um compromisso pelo Frauenquote (cota de mulheres), estipulando que companhias presentes na Bolsa de Valores alemã terão de ter pelo menos 30% de mulheres entre membros do Conselho até 2016.

Boa parte do mundo dos negócios alemão está torcendo o nariz. Quatro das maiores empresas automobilísticas (Volkswagen, BMW, Daimler e Opel) já ameaçaram transferir sua produção para fora do país se forem forçadas a aumentar o número de mulheres em seus Conselhos. A alegação é de que “as cotas podem pôr os negócios em risco”.

Pelo o que sei, a Noruega provou o contrário. Lá, não só a economia não entrou em colapso, como vem sendo melhor do que em anos anteriores. Também não foi tão difícil assim encontrar mulheres qualificadas, como os críticos diziam. E, dez anos depois de estabelecer o sistema de cotas, segundo o professor Morten Huse, da BI Norwegian Business School (Oslo), o número de profissionais norueguesas com experiência em Conselhos já gira em torno de mil.

Enquanto alemães, ingleses e outros membros da Comunidade Européia se opõem, no Brasil as discussões sobre cotas ainda são tímidas. Em termos de legislação, a única ação para aumentar as chances de participação da mulher em Conselhos por aqui é o Projeto de Lei nº 112/2010, de autoria da senadora Maria do Carmo Alves (Democratas-SE). Em trâmite no Senado Federal, ele prevê cotas gradativas até 40% em 2022, começando com 10% em 2016, 20% em 2018 e 30% em 2020.

Advertisements